Romancistas são malvados
Nos apresentam pessoas
Nem sempre boas
Mas que nos deixam entusiasmados.
Quanto os romancistas, são malvados?
Criam uma história na qual entramos,
Torcemos, choramos e até rezamos
Para que se aliviem os fardos.
As pessoas são de carne e osso
Defeituosas como a gente
Que chora, sorrir e finge contente
Mesmo quando chega ao fim do poço
Romancistas criam uma história digna de ser contada
Nos prendem por toda a madrugada
E quando ao fim chegamos
Tristemente nos desapontamos
Criam uma pessoa de caráter superior,
Criam uma história linda, às vezes de amor,
Mas com um final trágico, criam leitores angustiados.
O que revela: romancistas são malvados!
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
The invisible boy
I needed of rest
I wanted only understand myself
So I walked about my own feet
The invisible boy
About an empty space
About an empty life
With tears and laugh
He wanted only to be one more
I tried breathe again
I wanted to walk about myself again
But the invisible boy was invisible
The empty space was empty
The tears was just tears
And the laugh was just laugh
He was not only one more.
I wanted only understand myself
So I walked about my own feet
The invisible boy
About an empty space
About an empty life
With tears and laugh
He wanted only to be one more
I tried breathe again
I wanted to walk about myself again
But the invisible boy was invisible
The empty space was empty
The tears was just tears
And the laugh was just laugh
He was not only one more.
sábado, 14 de setembro de 2013
Amanhã
Hoje eu não quero a beleza
Não quero o amor,
Não quero a paz,
Preciso de guerra dentro de mim.
Só por hoje, e talvez outro dia, não quero consolo,
Não quero a lua prata,
Quero apenas a minha dor.
Esta noite não quero festa,
Não quero sorrisos,
Não preciso de abraços.
Hoje, polpem-me dos beijos.
Polpem-me dos elogios.
Quero apenas contemplar minha mediocridade.
Hoje não quero ser bom,
Não quero ser sábio,
Não quero a linguagem,
Não quero a razão,
Não preciso de companhia,
Basta-me apenas sentir o desespero.
Não me escrevam poesias
Não me digam que o mundo anda bem
Não me falem sobre o mundo
Não me conectem ao real
Não amenizem minha dor
Deixem-me sofrer.
Só por hoje quero aprender a desaprender
Quero entender como desentender
Pensar sobre o não pensar
Falar sobre o não falar
Quero um banho gelado, uma cama fria
Um abraço dos olhos negros.
Preciso do não-lugar
Quero não acreditar em acreditar
Quero me perder em meio a todo mundo
Quero sentir toda a minha dor
Mas amanhã quero te ver
Olhar teus olhos negros,
Abraçar-te, curar-me da dor.
Não quero o amor,
Não quero a paz,
Preciso de guerra dentro de mim.
Só por hoje, e talvez outro dia, não quero consolo,
Não quero a lua prata,
Quero apenas a minha dor.
Esta noite não quero festa,
Não quero sorrisos,
Não preciso de abraços.
Hoje, polpem-me dos beijos.
Polpem-me dos elogios.
Quero apenas contemplar minha mediocridade.
Hoje não quero ser bom,
Não quero ser sábio,
Não quero a linguagem,
Não quero a razão,
Não preciso de companhia,
Basta-me apenas sentir o desespero.
Não me escrevam poesias
Não me digam que o mundo anda bem
Não me falem sobre o mundo
Não me conectem ao real
Não amenizem minha dor
Deixem-me sofrer.
Só por hoje quero aprender a desaprender
Quero entender como desentender
Pensar sobre o não pensar
Falar sobre o não falar
Quero um banho gelado, uma cama fria
Um abraço dos olhos negros.
Preciso do não-lugar
Quero não acreditar em acreditar
Quero me perder em meio a todo mundo
Quero sentir toda a minha dor
Mas amanhã quero te ver
Olhar teus olhos negros,
Abraçar-te, curar-me da dor.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
A pequena flor branca
A flor pousou na janela
O solitário pássaro floresceu
A pequena flor branca voa
Em cada abraço diz um adeus.
Suas asas cheiram ao doce néctar das nuvens
A pequena flor branca é um anjo lindo
Ela olha tudo em volta com o mesmo cuidado de ontem
O solitário pássaro, tão bobo, se percebe rindo.
Mas o pássaro solitário não sabe voar !
Quem sabe a pequena flor branca ensine-o a nadar?
Nadar por sobre e entre as ternas ondas das borboletas
Rir com cada uma de suas caretas.
Sentir o indizível da existência
Esquecer aquela história de essência
Quem sabe a flor, pequena e branca,
Ensine-lhe a esquece a ingrata felicidade.
Tão sincera e franca!
Oferta-o um pouco de sua bondade
Não se deve saber o que é a felicidade.
Sorriamos juntos e sejamos felizes,
Diz a pequena flor branca ao pássaro.
Sorriamos juntos e cantemos sem deslizes.
Cantemos a doce melodia de nossas vozes desafinadas
Sejamos incertos na certeza das noites molhadas
Sejamos imperfeitos e pequenos.
Abracemo-nos a cada vez que pousar em ti
Diz a pequena flor branca ao pássaro
Abracemo-nos e sejamos felizes!
sábado, 3 de agosto de 2013
Pedido a não-mais-donzela
E, mais uma vez, está ela andando pelos vales.
Seus vales que de tão altos deixavam de o ser,
Mas que de tão profundos mostravam a contradição.
E lembra-a de que ser poeta é viver nesta
Que a verdade as vezes engana
E quando engana machuca
Mas quando não engana machuca ainda mais.
Concluia, a não-mais-donzela
Que a inocência é uma invenção
Que o amor é a tentativa de se encontrar
Mas que tentativa frustrada quando não se encontra
É que o amor, pensava a não-mais-donzela,
O amor mata e quando não mata põe um fim à vida.
Ah! Quem dera o amor da não-mais-donzela.
Ela que já provou do doce do eros
E quão amargo lhe foi o doce
Ela que mergulhou num dia de chuva
E quão suja saiu do banho
Ah! Doce não-mais-donzela!
Ah! Que pena que só ideia és!
Pena que as não-mais-donzelas reais estão tão distantes
E que as ainda-donzelas apenas sonham.
Sonham com o que lhe é perfeito
Contudo ainda não sabem que o perfeito machuca
Ah! Não-mais-donzela!
Seus vales que de tão altos deixavam de o ser,
Mas que de tão profundos mostravam a contradição.
E lembra-a de que ser poeta é viver nesta
Que a verdade as vezes engana
E quando engana machuca
Mas quando não engana machuca ainda mais.
Concluia, a não-mais-donzela
Que a inocência é uma invenção
Que o amor é a tentativa de se encontrar
Mas que tentativa frustrada quando não se encontra
É que o amor, pensava a não-mais-donzela,
O amor mata e quando não mata põe um fim à vida.
Ah! Quem dera o amor da não-mais-donzela.
Ela que já provou do doce do eros
E quão amargo lhe foi o doce
Ela que mergulhou num dia de chuva
E quão suja saiu do banho
Ah! Doce não-mais-donzela!
Ah! Que pena que só ideia és!
Pena que as não-mais-donzelas reais estão tão distantes
E que as ainda-donzelas apenas sonham.
Sonham com o que lhe é perfeito
Contudo ainda não sabem que o perfeito machuca
Ah! Não-mais-donzela!
Minha doce inteligível amiga!
Que triste felicidade temos descobrido!
Que tão péssimos melhores amigos temos feito!
E que tão amargo doce beijo temos provado.
Não me deixe, não-mais-donzela, não me deixe!
Que triste felicidade temos descobrido!
Que tão péssimos melhores amigos temos feito!
E que tão amargo doce beijo temos provado.
Não me deixe, não-mais-donzela, não me deixe!
A vida sem sonho pode ser muito dura
Mas, dos meus sonhos, és o que me lembras disto
Dos meus sonhos, ó cara inteligível amiga
Dos meus sonhos és mais real que o real.
Mas, dos meus sonhos, és o que me lembras disto
Dos meus sonhos, ó cara inteligível amiga
Dos meus sonhos és mais real que o real.
Soneto do poeta-filósofo e do filósofo-poeta
Ela olhou de longe e sorriu para o poeta
Ele agora tem mais uma inspiração
Logo ele que nunca se aquieta
Mas que nunca entrega o coração
E com os olhos fixos ele a
fita encantado
Olhos nos olhos, faz
a aproximação
Senta. Boa conversa!
Ó poeta delicado!
Mas que desafinado
desiste da canção
Não. Não tenho tempo
pra amar – diz o poeta.
Ser filósofo talvez
me deixe contente
Ou qualquer coisa que
não gente.
Mas os sorrisos
continuam a te balear, ó poeta!
Que tão frágil, dócil
e, por dizer, inocente
Sempre esquece:
filósofo também sente.
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